sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

Novos paradigmas de trabalho… um novo País...

Ao longo dos tempos o Homem sempre foi engenhoso em adaptar-se a novas formas de trabalho, sempre tendo como máxima da sua práxis, “com o menor esforço obter maior beneficio”, foi assim ontem, é assim hoje e será assim amanhã...

O aumento da população mundial, a descoberta de novas necessidades humanas, a escassez de recursos, o aumento do consumo, a competitividade industrial e comercial entre estruturas (paises, organizações) e mesmo entre indivíduos, a sistematização e consequente especialização do trabalho, a celeridade de novos acontecimentos cientificos e tecnológicos, a vasta colecção de conhecimento, são apenas alguns dos factores que obrigaram o homem a adaptar-se a todas estas mutações... havendo mesmo distinções entre culturas... as que têm impressa uma velocidade elevada de mudanças e inovações, as que a velocidade, apesar de elevada, é mais lenta que a primeira, e as que andam efectivamente a velocidades reduzidas, dito de outra forma... 1º Mundo, 2º Mundo e 3º mundo respectivamente.

As sociedadesde 2º mundo querem, rapidamente, entrar no clube das de 1º Mundo, e as de 3º Mundo, algumas subirão de escalão mas a grande maioria permanecerá no escalão onde se encontra actualmente.

E assim vai o Homem, numa cavalgada ofegante pela conquista do único «deus» efectivo que o comanda... dinheiro, status, consumismo... poder.

As necessidades consequentes desta «evolução» levam, indiscutivelmente, a uma preocupação dos lideres dos paises e organizações, definida como aumentar a rentabilidade do Homem versus uma mais eficiente utilização dos recursos disponíveis. A engenhosidade das melhorias de produtividade, passa não só pela necessária inovação tecnológica como também passa pela a assunção pública de conceitos universais de bom senso de gestão, como sendo, “ trabalho em equipa”, “comunicação”, “networking”, etc... os primeiros autores conhecidos que, num modelo científico, expuseram as suas idéias estão ligados ao volte-face industrial, Henry Ford e Taylor, estavam longe de imaginar a corrida que originariam... quem produz mais, em melhor qualidade, em menos tempo e ao menor custo.

O especialização da força de trabalho, a maximização do lucro, o dinheiro como base das relações inter-sociais, obrigou o Homem a competir entre si de uma forma desenfreada, nomeadamente a partir da segunda metade do sec. XX, o consenso em torno de palavras como GESTÃO, MARKETING, CONSUMIDOR, CLIENTE, COMUNICAÇÃO, LIDERANÇA, entre outras, transportaram-no para dimensões de disciplinas até então intocáveis como os ramos base da engenharia industrial, da economia, da sociologia e da psicologia. Estes ermetismos passaram a fazer parte do vocabulário comum nas sociedades contemporâneas, e chegados ao momento actual, não penso que tenhamos inventado novas formas, novos conceitos, antes refinámos os antigos e adaptámos alguns provenientes de áreas cientificas, como ADN Oganizacional, CAPITAL do Conhecimento, ACTIVOS Humanos, etc...

De todos os ermetismos emergentes, existe um que, pela sua simplicidade e aplicabilidade, é o mais antigo que a Humanidade conhece, e que de alguma forma as civilizações cresceram sustentadas nele, é a Gestão de Projectos... foram Egipcios, Fenícios, Mongois, Gregos, Persas, Chineses, Romanos, Celtas, Visigodos, Mulçulmanos, Vickings, Eslavos, entre tantas civilizações, a perceber a importância desta orientação... seguramente, os seus arquitectos, matemáticos, obreiros e militares... desconhecendo um nome universal... faziam uso dos seus principios e chavam-lhe nomes diversos.

Já em pleno sec. XX, por força das duas Grandes Guerras, o Homem, entendeu por fim, que a melhor forma de levar as suas ambições por diante é trasforma-las em projectos, com objectivos precisos, com tempo perfeitamente delimitado, e com controlo efectivo do orçamento associado. Para isso inovou algumas técnicas, como PERT, o EVM, entre muitas outras, e processualizou tudo o que havia para processualizar, era importante deixar o empirismo na gestão dos empreendimentos a edificar e torná-los controláveis, geríveis. Os modelos de cálculos evoluíram, as estimativas começaram a ser mais precisas, e o planeamento mais cuidado, o risco muito mais assertivamente mitigado e as alterações mais controladas e geridas.

Não foi em si uma invenção, mas foi claramente um upgrade continuo em 60 ou 70 anos, que fez uso das mais varíadas formas cientificas e sociais para chegar ao ponto em que se encontra hoje, ie, alinhada com as exigências do 1º Mundo.

Esta realidade, acompanhando a descaracterização do Homem enquanto célula nuclear de um sistema, observou e tem observado que as sociedades mais processualizadas evoluem mais rápido e sustentadamente que as outras, isto verifica-se nomeadamente se compararmos os paises de 1º Mundo com os restantes, nomeadamente, porque assimilam as exigências da actual Gestão de Projectos ou qualquer outro método procesualizado de analisar, definir, especificar, desenvolver, implementar e manter, de uma forma muito mais rápida e conseguem colocar em prática esse conhecimento influenciando activamente o ambiente onde tudo isto se desenrola.

Inflelizmente para Portugal, a sua sociedade não é processualizada, muitos alegam as virtudes de sermos como somos, porque se assumem como criativos por nefasto pressuposto de que a processualização inibe a criatividade, a espontaniedade, o desenrasque nas situações dificieis.... bom... é uma idéia... mas se realmente assim fosse, não estaríamos nós no topo dos países mais inovadores? não estaríamos nós entre os paises que melhor vivem? não estaríamos nós na vanguarda do conhecimento tecnológico e cientifico? os nossos sistemas publicos de saude e educação não seriam uma referência?

É um facto que temos tido algumas pequenas organizações que se começam a posicionar nos patamares mais elevados do mundo, mas ao analisarmos essas organizações perceberemos que elas, inteligentemente, estão a fazer uso das caracteristicas intrinsecamente portuguesas e atrás referidas aliadas ao processualismo das metodologias em gestão de projectos e desenvolvimento tecnológico.

Chega-se a esta conclusão pela Liderança aí cultivada, já que é a Liderança que nos dá a visão do que queremos ser quando crescermos.

Pelo exposto, permitam-me concluir então, que o aumento de produtividade resulta de uma processualização consciente e estrategicamente assumida dos processos de fabrico, que a Gestão de Projectos pode ser o ponto de viragem na forma como se trabalha em Portugal e que as mudanças culturais precisam de Lideres. Lamentavelmente Portugal apresenta uma escassez profunda de produtividade, de processos e de Líderes, peças fundamentais que nos transportam para um novo paradigma de trabalho... um novo País.

Nuno Pereira, PMP